Espaço Augusta de Cinema e Café Fellini são alvo de despejo no Centro de SP: 'Pior dia da minha vida', diz dona

  • 14/05/2026

Fachada do anexo do Espaço Petrobras de Cinema Leonardo Zvarick/g1 O anexo do Espaço Petrobras de Cinema e o Café Fellini, na Rua Augusta, no Centro de São Paulo, foram alvo de uma reintegração de posse iniciada nesta quinta-feira (14). Oficiais de justiça chegaram ao local por volta das 12h com dois caminhões para retirada de móveis e equipamentos. Quase tudo foi esvaziado, com exceção das duas salas de cinema. Projetores, telões e as poltronas recém-reformadas permanecem no edifício, que ficará trancado, e devem ser retirados depois por uma empresa especializada. Os responsáveis pelo estabelecimento afirmam que foram pegos de surpresa, pois achavam que ainda teriam prazo para reverter a ordem judicial que autorizou a reintegração. "A gente estava tentando entrar com um recurso, mas não conseguimos porque eles ainda não tinham publicado essa petição", disse Patrícia Durães, fundadora do cinema, que funciona no local desde 1995. Sala do anexo do Espaço Petrobras de Cinema, na Rua Augusta Leonardo Zvarick/g1 O fechamento causou o cancelamento imediato de 10 sessões diárias. Patrícia ressalta que as salas do anexo são vitais para a continuidade de filmes menores e lançamentos que não teriam espaço em grandes salas comerciais. A ação foi movida pela incorporadora Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários, que comprou o imóvel em 2022 e pretende derrubá-lo para erguer um prédio de apartamentos no lugar. Uma liminar de 2024, porém, ainda impede que o casarão da década de 1930 seja demolido. Além disso, com o reconhecimento do cinema de rua como Área de Preservação Cultural pelo Conpresp (órgão municipal de defesa do patrimônio) no ano passado, as atividades deverão ser mantidas mesmo que o espaço físico sofra alterações. (leia mais abaixo) Móveis do Café Fellini amontoados após reintegração de posse Leonardo Zvarick/g1 Isso significa que a construtora deverá entregar duas salas de cinema e espaço para o café no novo edifício, com fachada ativa na Rua Augusta. Mas a direção do Espaço Petrobras diz que o projeto apresentado é inadequado e que não consegue diálogo com a empresa. Por isso, devem tentar impugnar a reintegração de posse judicialmente para retomar o espaço antes de eventual demolição. "Hoje está sendo o pior dia da minha vida. Porque eu sempre acreditei que a gente fosse conseguir ficar", diz Silvia Oliveira, dona do café Fellini há mais de três décadas. "Eu estava abrindo o café, já tinha colocado as mesas no jardim e assado as empanadas e o pão de queijo quando eles chegaram", relatou Silvia, enquanto via a mobília sendo carregada para fora. "Isso aqui é a minha vida, passo 15 horas por dia aqui há 32 anos. Tá sendo muito doído e muito difícil, queria muito que revertesse pra que isso aqui não vá para o chão", acrescentou. Silvia Oliveira, dona do Café Fellini, acompanha desocupação do espaço fundado há 32 anos na Rua Augusta Leonardo Zvarick/g1 Demolição do espaço O imóvel foi vendido em 2022 e, desde então, cinéfilos e frequentadores se mobilizaram contra o fechamento e chegaram a arrecadar mais de 50 mil assinaturas em abaixo-assinado contra a demolição. Em fevereiro de 2023, a Justiça de São Paulo aceitou parcialmente o pedido do Ministério Público de São Paulo em uma ação contra a demolição. O juiz da 10ª Vara de Fazenda Pública, Otavio Tokuda, concordou em proibir a demolição e a construção de um novo empreendimento imobiliário ou comercial nos edifícios em que funcionavam o cinema e o café. No entanto, ele autorizou a desocupação do local, desde que não haja "qualquer modificação das características arquitetônicas até o pronunciamento administrativo definitivo do Município de São Paulo quanto ao tombamento". No início de dezembro de 2024, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), responsável pela preservação do patrimônio histórico no município, havia autorizado a demolição do local. Fachada do Espaço Petrobras de Cinema, na Rua Augusta Leonardo Zvarick/g1 O órgão tomou a decisão com base em relatório do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP) e abstenção dos representantes da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. A autorização ocorreu mediante o envio de relatório das obras de quatro em quatro meses. No entanto, a Justiça de São Paulo entendeu que a Via 15 Empreendimentos Imobiliários precisa garantir não apenas a construção de um cinema com fachada ativa, mas também o cumprimento da função cultural do espaço. A demolição, então, foi suspensa em dezembro de 2024. Também em abril do ano passado, o mesmo Conpresp decidiu pela preservação do uso cultural da área do espaço, e o local foi enquadrado como Área de Proteção Cultural (Zepec - APC). A análise já durava dois anos. Ministério Público quer impedir fechamento de cinema e cafeteria na rua Augusta

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/14/espaco-augusta-de-cinema-e-cafe-fellini-sao-alvo-de-despejo-no-centro-de-sp-pior-dia-da-minha-vida-diz-dona.ghtml


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